Pau de canela

sábado, abril 21, 2007

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Voltar às palavras, nos cantos
da casa, nos cantos da rua.
Voltar ao caminho, na caligrafia
de traços escorados, num esboço sincero.
Permitir o movimento, bendizer o acontecer-ser, fazer-me acontecer, ser mais.

sexta-feira, abril 20, 2007

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Mehira diz que pressente o amor à flor do seu calcanhar na areia. Talvez um amor condenado, ele não é tuaregue. Ela vê-o de tempos em tempos (sem o pressagiar, na cadência do tempo que o deserto lhe permite), e durante todo o dia solar, e por entre os meses e as rotinas, vejo-a a caminhar num rumo certeiro, com os olhos de brilho mais adiante do que o trilho ainda virgem. Não lhe vejo os lábios por debaixo do véu mas sei que vai a sorrir, quase que a ouço, abençoa-o em seus passos. Como se guardasse um imenso segredo. Como se galgasse em seus pés a grande conquista.
(Se vou a seu lado, apetece-me perguntar-lhe tanto…)


Por Abda Álmas

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Ironia do destino. Estou sempre em movimento, passos diferentes em cada sol, mas no meu dentro estou estagnada, parei à sombra de muitos sóis atrás, e caminho, só existe o que já percorri. Do pouco que me dizem estas areias caladas. Mas elas são o que eu sou.
Ferida, caída, amachucada. Desgarrada do mundo do apego e do apreço. No deserto, o amor é volátil, a luta do corpo que quer viver, na sua sede que cega, faz tombar nas areias os desejos mais nobres.

(No meu deserto, o amor é um segredo suspirado na hora sem sombra).
Mas que sobrevivência é possível sem o amor?
Ando, avanço, percorro na rota desenhada, escaldo-me nos pés e no coração; para quê?

Por Abda Álmas

quarta-feira, abril 11, 2007

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Mago
(de)
meã

Há, de mim, o que houve e era antes, que ficou, lá em baixo na maresia, no nível da água, nos sentires planos, mornos, amorfos, daqueles assim assim.
A mim chegou (tocou, brindou, inundou…). Bela presença luminosa.

Uma rota de viragem
(Por isso) a ele escuto.

(Só porque)
Traz na bagagem
Um concerto dos mais puros e raros gestos palavras sementes semeando especiarias
Cultivadas bem a dentro no coração
A sinfonia da aragem delicada de verdade sábia,
a brisa que traz a novidade de ser solto

Dança embala encanta
(no mundo das gentes que encontra)
Dança na minha gente que se apaixona.
(na minha gente que labuta no sentir plenamente)

No esplendor, na herança de pertencer ao mundo,
Enriquece os mundos das gentes que toca
(e de quem bebe inspiração) com o seu aroma
(o aroma das coisas claras e límpidas,
o aroma a ser feliz, o aroma a ser verdade
o aroma à candeia dos sentires intensos).

Chega liberto para desvendar os povos imensos
hereditários sentimentos dos dias à solta por descobrir,
dos significados a conquista; ama este som.

Nos seus trilhos razões de ser ser a despontar
(de ser assim, mago).