Pau de canela

domingo, dezembro 31, 2006

Milagreiro


Agora vamos ter os girassóis do fim do ano
E o calor vem desumano
Tudo irá se expandir crescer com as águas
Quiçá amores nos corações
E um santeiro, milagreiro
Prevê a dor de terceiros
E diz que a vida é feita de ilusão

Aquela que um dia o fez sonhar se foi com o outro
No dia em que os dois se casariam por amor
Ele aluou
Hoje o seu pesar cintila nos varais
Usou as sete vidas e não foi feliz jamais
Toda a imensidão passou pela vida e foi cair na solidão

Mais um santo pra esculpir é o que lhe vale
Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe
Mais um santo pra esculpir é o que lhe vale

(Interpretado por Djavan)

sexta-feira, dezembro 29, 2006

...

Nesta vida apenas quero solidão
para nela verter meu pranto
confiando-me ao segredo do teu amor.
Em redor de nós dois há olhos e ouvidos
dos quais é forçoso ocultar minha paixão
quando me encontro contigo:
assim te preservo – és minha vida! –
por temor que te ponham apartada
e meus olhos possam não mais te ver.
Avisto-te e, se não fosse o meu pudor,
minhas lágrimas sobre ti derramaria.


Abû-l-Hasan ash-Shantamarî, in O meu coração é árabe.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

...


Saberás

que sem ti
o mundo continua, qual girândola
rápida, quotidiana
(mas ao meu olhar desencaixada desenquadrada desacreditada)

É. O mundo permanece, e com ele as coisas, os ritmos, as pessoas, as estações,
o sol continua a desabrochar em sorrisos.
Mudam-se humores, olhares, sentidos,
Todos eles perdidos em cacos em ecos do que já foi (em esplendor).

Poucos param pelo que alguém representa para nós,
(persistem nas suas teias rotinas minimais essenciais
impelem a avançar).

Pelo tanto que és para mim, paro. Para te enaltecer, para te descobrir, te olhar a conquistar a verdade e a intensidade que trazes transbordante.
Para estar contigo nas tuas paisagens tuas montanhas
ares frios aromas de lareira acesa.

Saber-te-ás
Um querer essência no meu existir.
Rotação de harmonia e fascínio
Acarinhando engrandecendo o meu mundo.


segunda-feira, dezembro 04, 2006

poetisares


Em mãos, por um aluno da Uiti...

Perceber as emoções.
Entender para interiorizar.
Partilhar para superar.


Saudade (por Carlos Drummond de Andrade)

Amar o perdido
Deixa confundido
Este coração

Nada pode o olvido
Contra o sem sentido
Apelo do não

As coisas tangíveis
Tornam-se insensíveis
À palma da mão

Mas as coisas findas
Muito mais que lindas
Essas ficarão

J.F., 29 Nov 06