Milagreiro
Agora vamos ter os girassóis do fim do ano
E o calor vem desumano
Tudo irá se expandir crescer com as águas
Quiçá amores nos corações
E um santeiro, milagreiro
Prevê a dor de terceiros
E diz que a vida é feita de ilusão
Aquela que um dia o fez sonhar se foi com o outro
No dia em que os dois se casariam por amor
Ele aluou
Hoje o seu pesar cintila nos varais
Usou as sete vidas e não foi feliz jamais
Toda a imensidão passou pela vida e foi cair na solidão
Mais um santo pra esculpir é o que lhe vale
Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe
Mais um santo pra esculpir é o que lhe vale
(Interpretado por Djavan)
...
Nesta vida apenas quero solidão
para nela verter meu pranto
confiando-me ao segredo do teu amor.
Em redor de nós dois há olhos e ouvidos
dos quais é forçoso ocultar minha paixão
quando me encontro contigo:
assim te preservo – és minha vida! –
por temor que te ponham apartada
e meus olhos possam não mais te ver.
Avisto-te e, se não fosse o meu pudor,
minhas lágrimas sobre ti derramaria.
Abû-l-Hasan ash-Shantamarî, in O meu coração é árabe.
...
Saberás
que sem ti
o mundo continua, qual girândola
rápida, quotidiana
(mas ao meu olhar desencaixada desenquadrada desacreditada)
É. O mundo permanece, e com ele as coisas, os ritmos, as pessoas, as estações,
o sol continua a desabrochar em sorrisos.
Mudam-se humores, olhares, sentidos,
Todos eles perdidos em cacos em ecos do que já foi (em esplendor).
Poucos param pelo que alguém representa para nós,
(persistem nas suas teias rotinas minimais essenciais
impelem a avançar).
Pelo tanto que és para mim, paro. Para te enaltecer, para te descobrir, te olhar a conquistar a verdade e a intensidade que trazes transbordante.
Para estar contigo nas tuas paisagens tuas montanhas
ares frios aromas de lareira acesa.
Saber-te-ás
Um querer essência no meu existir.
Rotação de harmonia e fascínio
Acarinhando engrandecendo o meu mundo.
poetisares
Em mãos, por um aluno da Uiti...Perceber as emoções.Entender para interiorizar.Partilhar para superar.Saudade (por Carlos Drummond de Andrade)Amar o perdidoDeixa confundidoEste coraçãoNada pode o olvidoContra o sem sentidoApelo do nãoAs coisas tangíveisTornam-se insensíveisÀ palma da mãoMas as coisas findasMuito mais que lindasEssas ficarãoJ.F., 29 Nov 06