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Sonhei que vivia o meu sonho mais urgente e mais imediato. Tinha adormecido contigo a leres alto uma história de um livro, enredo de laços da vida humana (no sonho ouvia-se bem a tua voz arranhada, o sussurro da voz que consente um pedido e deixa cumprir um desejo [conta-me uma história], da voz que em meiguice se arranha).
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Mosaicos visões. Polaridades.
Desistir e embargar, e recolher.
Ou
Investir, plantar, fomentar.
Tudo ou nada? Mais perto do tudo? Mais perto do nada?
Frio ou quente?
Negro turvo.
- Derrubámos as pedras da calçada, desgastámos todo o chão em que antes deitámos nossas mantas que dentro de nós eram nossos abrigos um no outro. Gastámos o que não dissemos e que agora mal apagado remói, dói. Amolgadelas, nódoas negras emocionais.
Morno.
Branco límpido.
- Descobrimos a paciência dos ângulos singelos que nos formam, a sapiência dos espaços que ocupamos e preenchemos, nós, dois seres, diferentes, com acabamentos diferentes, mas compondo melodias que se articulam em tons afinados, descobrindo lá fora e testemunhando dons e choros, com que tricotamos a nossa malha quentinha e acarinhada.
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Polaridades, fases, contrariedades.
Medo. Medo de.
Medo de perder, medo de conquistar.
Medo de não corresponder, medo de não merecer.
Medo do abandono, medo da presença inteira, íntima.
Medo de ser maltratado, medo de ser acarinhado.
Medo de receber, medo de dar.
Medo dos cães, medo das alturas.
Medo de engolir uma espinha. Medo de afastar-me da minha mãe.
Medo do escuro, medo de andar de elevador.
Medo de crescer. Medo de não querer crescer, ou não saber, ou não poder crescer.
Medo de ser aprisionado, medo de ser liberto.
Medo de morrer, medo de viver.
Medo de sofrer, medo de estar feliz.
Medo de esquecer, medo de relembrar.
Medo de sonhar alto, medo de cair na realidade.
Medo de não ver, medo de assistir.
Medo de não sentir, medo de querer demais.
Medo de querer e não alcançar, medo de alcançar e não querer.
Medo de ter medos.
Medo de não ter medo.