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Andando de lugar em lugar, a saudade torna-se um lugar comum. Torna-se persistente e ruminante como a quentura do sol, que te enruga a pele das mãos, e te engelha a garganta e a voz da secura, da sede.
Saudade como a força do sol. Sol, saudade. Sol, aridez.
Sol, presença ausência.
Sede.
Vocabulário escasso, raramente falo.
Sede.
Sede de encontrar um caminho que me faça parar, ancorar.
Apenas ficar, fixar, sedimentar.
Deixar a areia assentar, gozar a sombra.
Onde
sobreviver, onde me permitir uma existência de natureza carente, ao largo de outra escassa natureza.
Onde
pendurar com alguém laços de dureza e solidão irreparáveis.
Onde
edificar nesse alguém um verdadeiro sentir, num toque que vá mais além que o pressentimento de sobreviver.
Onde enterrar a sede, plantar e colher a abundância que seja suficiente.
Ter filhos.
(que sei, vão um dia sentir sede…)
escritos de Abda Álmas
