sexta-feira, abril 20, 2007

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Mehira diz que pressente o amor à flor do seu calcanhar na areia. Talvez um amor condenado, ele não é tuaregue. Ela vê-o de tempos em tempos (sem o pressagiar, na cadência do tempo que o deserto lhe permite), e durante todo o dia solar, e por entre os meses e as rotinas, vejo-a a caminhar num rumo certeiro, com os olhos de brilho mais adiante do que o trilho ainda virgem. Não lhe vejo os lábios por debaixo do véu mas sei que vai a sorrir, quase que a ouço, abençoa-o em seus passos. Como se guardasse um imenso segredo. Como se galgasse em seus pés a grande conquista.
(Se vou a seu lado, apetece-me perguntar-lhe tanto…)


Por Abda Álmas