Do tempo
Haverão sempre certezas. Como a de que não tenho tempo para ti. Existes muito para além do meu tempo apressado e fugidio nas malhas da cidade que me habito.
Por isso, contigo não há tempo, os balizamentos que ele impõe expandem-se, e os códigos mais simples ficam despojados da sua certeira rigidez. Assim, os minutos podem durar horas, e outras horas tantas desvanecem-se em segundos.
Contigo o tempo é menor, subalterno, não domina como no resto do dia, da hora, do corrupio.
És para mim mais do que um tempo, e o tempo passa a pano de fundo.
Se perder a hora, se correr um pouco mais, quando o redemoinho das ruas me devolve ao tempo, não importa.
Importa que em ti (ao pé de ti, só de te olhar) nasce a tranquilidade de não haver hora para nada, de tudo chegar sempre a tempo.
Do tempo não ter, e não ser, hora marcada.
Da hora dar tempo e espaço para tudo.

1 Comments:
Que belo o "tempo" no sentir das tuas palavras.
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