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Ironia do destino. Estou sempre em movimento, passos diferentes em cada sol, mas no meu dentro estou estagnada, parei à sombra de muitos sóis atrás, e caminho, só existe o que já percorri. Do pouco que me dizem estas areias caladas. Mas elas são o que eu sou.
Ferida, caída, amachucada. Desgarrada do mundo do apego e do apreço. No deserto, o amor é volátil, a luta do corpo que quer viver, na sua sede que cega, faz tombar nas areias os desejos mais nobres.
(No meu deserto, o amor é um segredo suspirado na hora sem sombra).
Mas que sobrevivência é possível sem o amor?
Ando, avanço, percorro na rota desenhada, escaldo-me nos pés e no coração; para quê?
Por Abda Álmas

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