terça-feira, maio 08, 2007

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Falo do que me contam e segredam estas areias que piso sempre, escuto-as em cantilenas milenárias que descrevem as novidades corriqueiras dos dias dos homens. Dos desafios, e das grandes virtudes, e das delicadezas dos sentimentos de que é capaz uma vida humana. No movimento das areias vejo páginas e páginas dedilhadas, amarelecidas, escritos sobre o amor. O amor, esta palavra impossível no dicionário do meu deserto (ou no meu ser desertado…). Tantas histórias, tantas cores, matizes, cambiantes, maravilhosas, encantadas, amargas, infelizes, lancinantes… interrogo-me e continuo sem compreender que profundidade toca cada um, em cada momento, quem é eleito, por quem? Não nasci de uma história de amor. Do amor só lhe conheço as palavras que ouço que o distorcem. Para mim o amor é um achado perdido, um movimento desemparceirado.
Mas a voz da poeira de areia que se agita e se me adianta aos pés revela-me pesadelos, torrentes, medos intensos, de perder, para sempre, de ficar sem, só, sem. (num destroço, desvitalizada). Bem dentro no meu oásis quisera eu celebrar o amor. Conhecer, testemunhar, abençoar, bendizer. O que quer que seja o amor, inscrito neste dourado que teima em me acercar.

Por Abda Álmas